17.1.12

Memórias de um velho


Você pode escolher entre muitas coisas na vida, mais não lhe perguntam se você pretende realmente crescer, agora eis me aqui, um velho, com os meus oitenta e poucos anos, não sei ao certo. Vivi tudo que tinha para viver, guardo lembranças ainda da infância, mas a memória começa a me trair, aposentei a alguns anos, mas trabalhei muito durante toda a vida, fui pobre mais nunca me faltou nada e todo o meu esforço resultou em todas estas rugas, e cada fio de cabelo branco esconde boas histórias, olho pra traz sinto saudade de pessoas e me sinto realizado por tudo conquistado. Hoje moro sozinho, sou viúvo e tenho três filhos, que me deram a alegria de ser avô meu dia dia é bem morno, se resume em ir a praça alimentar os pombos, gosto disso, eles me fazem companhia, além do mais é bom saber que ainda posso ser útil, nesse mundo onde velhos são descartáveis, como se pessoas tivessem um tempo certo de validade.
Quando não estou alimentando pombos estou em casa lendo, não tenho a mesma disposição de antes, e sem querer ser ranzinza estou só a espera do momento que poderei reencontrar Marta, que se foi me deixando neste mundo sequioso, fomos casados a mais de cinqüenta anos, fomos muito felizes durante todos estes anos, e ela fez com que eu acreditasse que seria possível ser feliz ao lado de outra pessoa, depois que conheci Laura, o meu primeiro amor, nunca pensei poder amar de novo, juramos amor eterno e eu ainda consigo ver seus olhos castanhos encontrando os meus, a amei mais que a mim mesmo, mas nosso amor foi interrompido. Acostumávamos ser um inverno aconchegante, com boas historias perto da lareira, com a caneca cheia de café morno, mas as historias foram esquecidas, o café se esfriou e o fogo sem compaixão de nós se apagou completamente. Foi assim que o meu coração se fechou, assim que ela disse adeus, mas a vida, tem mania de nos pregar muitas peças, depois de tantos anos de experiência, hoje eu sei que o dia sempre termina, mas o sol volta ao amanhecer, acabei conhecendo Marta um anjo que apareceu na minha vida.
Há verdade é que nunca esqueci Laura, mas se ela não estivesse ido, não teria a chance de viver coisas maravilhosas do lado de Marta, antes de morrer gostaria de ver o rosto de Laura mais uma vez me olhando daquele jeito que só ela me olhava, sei que mesmo cheia de rugas Laura continuaria sendo linda me pergunto com quem ela se casou, e se foi feliz assim como eu, será que a vida foi tão generosa com ela, como foi comigo? Imagino se tivéssemos ficado juntos, se seriamos felizes e sei que são todas perguntas sem respostas, pois não podemos voltar atrás, amei Laura, e depois de todos esses anos continuo a amando, mas a vida tomou outros rumos. É bom poder olhar pra traz com ar de missão comprida, estou cansado e me despedindo desse mundo que me deu muitas surpresas e ensinamentos.
Não lembro de Laura com a dor de antes e sim com nostalgia e me pergunto, por onde andaras Laura ?

Um comentário:

  1. Linda história. É bom pensar que as coisas passam e o tempo existe para todos nós. Nada é eterno, a não ser o aprendizado. E são eles que levamos quando morremos. Sei não, mas penso que nada é em vão. E o que vale mesmo, é o quanto fomos honestos com nós mesmos e com os outros. É só isso que importa no final... :)

    Obrigada pela visita! :) Te sigo sim.
    Beijão.

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