11.10.12

A ruiva e o cocho


P.S: este é um conto que fiz sobre um psicopata, inspirado em uma reportagem sobre necrofilia. A história é fictícia  qualquer semelhança,é mera coincidência.


Durante as tardes, a donzela de cabelos vermelhos feito sangue caminha impecável e solitária entre as ruas de Recife, em direção a igreja principal, era só escutar as seis badaladas do sino, que toda a rapaziada se reunia para ver a moça passar, até sumir na esquina.
Filha única e órfã de mãe, ela frequentava a igreja deste menina, tinha um olhar secreto e um sorriso um tanto malicioso. A três quarteirões de sua casa morava um velho cocho, com aparência mais velha do que realmente era, tinha barba a fazer. Todos o conheciam mais ninguém tinha nada a dizer a seu respeito.
Como de costume lá estava a moça andando pelas ruas de Recife, com os cabelos presos em uma transa comprida, e lá estava o cocho entre a multidão de homens, com olhos fixos na moça, não podia piscar, aquele era o dia, mal podia esperar.
A esquina dava em um corredor estreito e solitário, e justo ali a jovem é surpreendida com uma voz rouca, chamando o seu nome:
_ Dolores?
Entre um susto e um pequeno grito, ela olha para traz.
_ Como sabe meu nome?
_ Eu sei de tudo minha querida, alias a igreja fica para o outro lado, parece que errastes o caminho.
_ O que você quer?
_ Meu anjo, pode estar confusa agora, mais eu sempre esperei por esse dia, o dia em que falaria com você pela primeira vez, você continua a mesma garotinha de sempre.
_ Você é louco, fique longe de mim.
_Dolores, eu quero cuidar de você como a minha vida, não há nada que eu queira mais que ter você.Você será minha, só minha.
_Vá embora e me deixe em paz.
_ Antes de ir me dê um beijo, um único beijo.
_ NUNCA, você me dá nojo seu velho ridículo.
E com sua ultima frase, os cabelos agora com aparência de alaranjados em contraste com o sol, ela some indo para casa com passos largos. Lá estava a ruiva e o cocho, e lá estava o primeiro encontro.
No dia seguinte, Dolores sai pelos fundos de casa, temendo encontrar o senhor estranho do dia anterior, atravessa o passeio, e tem a infeliz coincidência de encontrar o padre Emanuel.
_ Boa tarde minha jovem, estou sentindo sua falta na paróquia.
_ papai esta muito doente, tenho ficado muito com ele, estou indo agora comprar seus remédios.
_ então preciso fazer uma visita ao pobre.
_ NÃO, quer dizer, não a necessidade padre, o senhor é um homem com muitos afazeres, e papai vai se curar, ajude-o fazendo suas orações.
_ Se você está dizendo, tudo bem.
_Adeus padre, passar bem.
A moça segue em direção a uma enorme casa alaranjada no final da rua, no portão está um homem forte e jovem de cabelos negros a sua espera, eles se encontram e se beijam demoradamente, entram e só se despedem quando Dolores confere no relógio que já acabara a missa, assim Dolores segue para casa distraída e feliz,quando de repente um sujeito segura violentamente seu  braço, para o desespero da moça, é o mesmo homem do dia anterior, ela tenta se soltar, imaginando a grande burrada que fez em cortar o caminho, passando por uma rua praticamente deserta, enquanto o homem diz nervosamente:
_Como ousar Dolores? Me trair com outro homem? Enquanto devias estar na igreja?
_ Me solte já, eu não te conheço e não tenho que lhe dar satisfações.
Mais nervoso ainda, o homem agarra Dolores e tampa a sua boca, leva a moça para dentro de um carro estacionado não muito longe Dalí e a joga dentro de um automóvel se certificado que não há ninguém os vigiando.
O velho dirige até um minúscula casa abandonada, abre o carro agora mais calmo e tira Dolores de lá, a jogando agora para dentro da casa, entra em disparada e tranca a porta.
_Onde estamos? O que quer de mim? Porque tanta obsessão pela minha pessoa? – Diz tremula.
_ Pare de fazer tantas perguntas, fique quieta, você não podia ter feito isso comigo. Logo comigo, maltratado pela vida, jogado fora como um lixo, eu só queria um pouco de atenção, tenha piedade deste pobre velho, me dê um abraço, um único abraço e te livrarei daqui.
Dolores se aproxima,sentindo gotas de suor escorrerem da sua testa e o abraça sem pensar muito, não tem outra opção, sente a barba áspera no seu rosto, e um cheio forte de mofo embrulha seu estomago. Ficam abraçados por alguns minutos, a ruiva e o cocho, enquanto o silencio grita pelo cubículo.
Com um  movimento imperceptível  o velho tira do bolso delicadamente um objeto metálico e uma lagrima escorre pelo seu rosto de aparência cansada:
_ oh minha querida, é uma pena, as coisas não precisavam ser assim.
O silêncio é substituído por um grito de dor inumano, e o sangue saindo das costas de Dolores, se misturam com seus cabelos avermelhados.
Nos braços do homem misterioso, finalmente estava a peça mais valiosa, que o faria se sentir completo.
Com o mesmo cuidado para com um recém nascido, ele a deita no chão frio de mármore, enquanto uma poça de sangue é formada ao lado. Ele se inclina e beija a testada mulher morta e após um longo suspiro, diz sussurrando em seu ouvido:
_ Eu disse que serias minha! – Sorrindo sem mostrar os dentes.
Devagar desabotoa o vestido azul manchado de sangue, e em poucos minutos o corpo delicado está nu, ele imediatamente começa a se despir, quando está completamente nu, limpa o objeto metálico no próprio rosto e o joga na beirada da sala.
O homem se posiciona em cima do cadáver com o corpo ainda quente e agora os corpos estão unidos, como em uma dança se mexem em sincronia totalmente grudados, ele jamais sentira tanto prazer, seu coração batia tão depressa que podia bater por dois, ele com os olhos fechados, ela com os olhos abertos e fundos, a ruiva e o cocho.
Cansado e ofegante ele se levanta e caminha em direção ao criado mudo, abre a gaveta  tira um antigo revolver, se volta para o corpo de Dolores e se deita ao lado do cadáver, segura suas mãos finas e pequenas e atira contra a própria cabeça.

11 comentários:

  1. Eu tenho um conto sobre necrofilia. Porque, sério, eu AMO esse tipo de assunto. Mas como o meu conto tem mais de 10 páginas, nunca postei no blog.
    Mas enfim, eu adorei seu texto, ficou super bem escrito. E é raro achar coisas assim pelos blogs. :)

    obs: Se realmente se interessar sobre o assunto, pesquise sobre Jeffrey Dahmer e Ted Bundy, ambos psicopatas e necrófilos rs

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  2. Eu quero ter o sangue frio assim, hein hahahaha.
    Amei o conto.

    A ruiva realmente é linda *O*
    E tem o sangue frio que é danado

    Beijo, querida

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  3. Muito bom o conto !!! Me arrepiei


    Hoje é a reinauguração do meu blog, da uma visitinha la

    bjxxxx

    http://intheskiess.blogspot.com.br/

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  4. Eu sinceramente, nunca ouvi falar sobre necrofilia kkk'-burrinha. Mas achei super interessante, arrepiei aqui também. Adorei conhecer teu blog viu flor? Desculpa a demora para uma visitinha.
    Nhaaaac<3 | viciadasemcupcake.blogspot.com.br/

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  5. Obrigada por teu comentário, querida.
    Meu blog oficial é o Revelando Sentimentos e o Desbrava(dores) de livros.
    Estou fazendo um sorteio, participe lá.

    Concorra a 4 livros incríveis.

    Um beijo

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  6. Nossa demais! Tenho vontade de escrever algo sobre necrofolia, mas sei ´lá nunca fica bom..
    adorei mesmo viu??

    BEIJOS GESSY
    SEMCONTROLE.NET.TC

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  7. Um conto muito forte, não é para todos. Parece uma cena de filme de terror e esse cara merece o prêmio psicopata do ano por sentir prazer dessa forma tão cruel.

    Parabéns pela facilidade de escrever um conto assim, tão envolvente, a gente sente um frio no estômago do começo ao fim. rs

    bjs flor.

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  8. Nossa, eu sempre escrevo sobre almas amarguradas, mas nunca escrevi sobre necrofilia, apesar de alguns pequenos erros de português, o seu texto ficou muito bom, juro que amei!

    http://garotaantenada-poramanda.blogspot.com/

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