4.8.13

Eu e o dono do poodle



Laura e as meninas da clínica veterinária vivem dizendo que nenhuma mulher é feliz para sempre morando com um pastor alemão, nunca entendi o verdadeiro motivo de a minha solteirice incomodar tanto a elas já que sempre sou obrigada a escutar desabafos sobre maridos que deixam a toalha molhada em cima da cama, que não se lembram do aniversário de casamento do casal, ou que não deram conta do recado na noite anterior e ainda assim tentam me convencer a arrumar um homem que me faça uma mulher feliz para sempre, Fim!
Na semana passada, Laura me apresentou ao seu primo que também tem cachorro, um poodle, fiz questão de saber, acabamos marcando de nos encontrar, saímos para falar de nós e de todas aquelas coisas que se falam no primeiro encontro, temos muitos pontos em comum, mas nem tanto. Apenas decidi aceitar o conselho da minha terapeuta e investir em relacionamentos, até porque já tenho quase 35 e mulher nessa idade sem aliança no dedo significa que tem algum defeito grave, é o que dizem. Enfim ele se oferece para me levar para casa depois de sorrisos, comida japonesa e diálogos mornos.
 Na porta do apartamento de uma forma bem sutil eu o chamo para entrar, ele aceita o convite sem me levar a mal (eu acho), bom,só queria ser educada mas a resposta dele foi sim, tudo bem, não é sempre que alguém “interessante” está disponível em um inverno rigoroso, ou quem sabe invernos rigorosos deixam as pessoas mais interessantes umas para as outras, seja como for não me lembro qual foi a ultima vez que estive sozinha com um homem adulto bem na minha sala de estar, acho que talvez porque nunca fui muito boa com relacionamentos, já que ser uma veterinária bem sucedida sempre me ocupou muito e para a minha infelicidade, homens não são como cães.
 Ficamos ali sentados no sofá conversando e tomando um vinho que achei no fundo da geladeira e nem me lembrava mais. Eu gostaria que ele estivesse mais perto, droga que tipo de coisa estaria acontecendo comigo? Juro que não estava bêbada, mas eu queria tê-lo, ali, agora, não parava de pensar como ele ficaria sem aquelas roupas e como seria transar com ele no chão da sala. Transar com um cara que lia Machado de Assis escutava Chico e tinha um cachorro, sério, não sabia muito mais coisas sobre ele.
Quando me dei por mim, minha língua estava muito bem acompanhada dentro da boca dele,sim eu pirei de vez, beijei e pronto e quando me dei conta pedi desculpas e ele me agarrou e tornamos a nos beijar. Ok, vou te poupar dos detalhes sórdidos, você só precisa saber que passamos a noite juntos. 
Dia seguinte, sol no travesseiro, camisola jogada no chão, um estranho do lado. Se minha mãe fosse viva, ela morreria hoje do coração. Acordo com ele sussurrando coisas no meu ouvido, diz que adorou me conhecer e quer me ver novamente,diz que a mãe dele adoraria me conhecer, juro que estava pronta pra mais uma,mas foi a coisa mais brochante que escutei em toda a minha vida. Só consegui dizer SAIA DA MINHA CASA AGORA. Ele ficou no mínimo aterrorizado com as minhas palavras, e saiu desorientado, expliquei que eu não seria a futura namorada que conheceria a mãe dele.
 Merda, que tipo de pessoa eu sou? Foi então que eu entendi, sou o tipo de pessoa que tenta ser o que os outros querem que eu seja, que acabou dormindo com um desconhecido por ser uma completa desconhecida para mim mesma, faço 35 a alguns meses e só o que eu faço é tentar colocar panos quentes quando o assunto é com quem estou saindo ultimamente. É sério que eu preciso ter um marido para ser normal? Sociedade me desculpe, mas vivo bem com o meu pastor alemão e acredite, não tenho uma doença grave por pensar assim, o problema não está em mim, nos gays ou nas garotas gordinhas. Não duvide da minha sexualidade, só não sou como a maioria das mulheres que crescem sendo incentivada a quererem se casar e cuidar de crianças. Não me entenda mal, ter um companheiro é ótimo, crianças são maravilhosas, o que quero dizer é, seja você, mesmo que esse conselho venha de uma fanática por cachorros e que deu no primeiro encontro. Dizem que isso é feio não é? Sociedade, só tenho uma coisa a dizer, Tchal e bença!

8 comentários:

  1. Como sempre mandando bem!!! Realmente é lastimante termos que aceitar, em pleno século XXI que devemos ser tradicionais e conservadores, como se vivêssemos ainda naquele incompreendido século XX e XIX. Mas é isso aí, devemos mesmo é seguir o nosso instinto e nosso coração para vivermos felizes sem ser influenciados por ninguém. Que se dane o que os outros pensam!!!

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    1. É isso mesmo Thiago,era essa a proposta do texto. Obrigada por comentar!

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  2. Muito bem escrito seu texto. Eu confesso que sou bem conservadora, mas se a pessoa consegue ser feliz só o cachorro tudo bem, mas não concordo quando ela faz o que só deveria fazer com o marido. Mas cada um que viva sua vida como achar melhor néh.♥

    PiinkCookie.blogspot.com

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    1. Olá Laura, entendo o seu ponto de vista, porem a personagem do texto optou pelo sexo sem compromisso mas isso não a faz ruim ou menos humana, a penas teve coragem de contrariar a "ordem natural das coisas" e foi feliz ao seu modo. Obrigada pelo comentário =)

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  3. Adorei demais o seu texto, a gente tem que ser do jeito que somos né, isso que importa.
    Beijinhos
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    conversando-com-a-lua.blogspot.com.br

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  4. Gostei do texto, principalmente do final haha
    Tchau e bença!!!
    Beijos
    Mariana Godoy

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    1. É sempre um prazer ter você aqui no blog Mariana, volte mais vezes *-*

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