16.8.15

Porque as mulheres amam demais: A culpa é do Édipo




A menina assim como o menino inicialmente dirige os impulsos eróticos para a mãe, ou seja, o primeiro amor da menina é homossexual. A menina irá reconhecer a sua diferença anatômica quando se deparar com o órgão genital durante o período da fase fálica. A menina se sente faltosa com essa descoberta.
            Acredita que o poder não está mais nela e sim no pênis do corpo masculino, por ser a única coisa visível que distingue o seu corpo da do menino. A menina fica ressentida com a mãe, pois ela deu ao menino o que ela mesma não possuía, e para a filha só deu a própria falta. A menina fica fixada na pergunta: “Porque não para mim?”. É negado a ela o precioso pênis, é dessa forma que surge então a “inveja do pênis”, ela se sente castrada.
             A menina está com a própria imagem de si ferida, então rejeita a mãe e vai em busca do pai, querendo consolo e para reivindicar o que a sua mãe a negou. O pai nega dar seu poder para a filha, nesse momento ela decide ser a própria fonte de poder do pai. É a primeira vez que a menina toma uma posição do feminino, a posição de querer ser desejada.
            A mãe entra novamente em cena, agora para ser modelo de feminilidade, a menina se identifica com a mãe, principalmente para ser desejada pelo pai assim como a mãe é. A menina precisa que a mãe a ensine o que é ser mulher em meio a essa incompletude do feminino.
            O pai mais uma vez nega a menina, ela não pode ser desejada por ele, esse é um privilégio exclusivo da mãe. A menina irá dessexualizar o pai, será recalcado o desejo de querer ser possuída por ele.
            É assim que a resolução do Édipo acontece, a menina se abre para os possíveis homens de sua vida de mulher, porém o Édipo não é completamente resolvido, sempre deixa marcas por toda a vida e irá determinar quem nos tornaremos.
Vale ressaltar que a “inveja do pênis” que a menina sente é acentuada através das observações feitas por ela mesma a respeito dos comportamentos que os meninos podem ter e que socialmente não são bem aceitos se ela vir a fazê-los. Na fantasia infantil da menina, ela tem a ilusão de que esses privilégios que o menino tem dentro de uma cultura machista, provém do órgão genital masculino, já que visualmente é o que ela consegue enxergar como sendo o que a diferencia do menino. Podemos ter em vista a própria atividade sexual, enquanto o pênis é um órgão dotado de atividade, a vagina é a receptora que não possui movimentos.
A cultura e a sociedade ensina a mulher a ser passiva diante de suas pulsões, ensina que se deve ser obediente, sensível e educada enquanto que a agressividade e a atividade são vistas como da ordem do masculino. A menina desde muito nova é moldada para pertencer a uma posição submissa, assim como o homem deve ser dotado de controle. Esses rótulos são passados de geração à geração, basta pensar em Lilith, a primeira mulher, que não aceitando ser dominada por Adão, acaba vindo a se tornar um demônio, e por não ser obediente a seu marido ela é castigada.
A menina sai do Édipo devastada cheia de frustrações e negações. Dessa forma a mulher já entra na relação com o seu parceiro para que ele também venha a frustrá-la, como ocorrido no período edipiano e como é acentuado socialmente. Ela tem necessidade de ser objeto, essa mulher só existirá psiquicamente se pertencer a essa posição.
Como o feminino se encontra em falta, tem como característica uma baixa estima, elevando o parceiro, como sendo superior. É próprio do feminino estar apaixonado, a mulher no feminino está sempre em busca de estar apaixonada, única possibilidade de se fazer mulher. O que a mulher visa é ser amada, e para isso ela precisa primeiro exercer certa atividade (se arrumar ou seduzir), para enfim exercer a passividade. É produzindo um excesso de gozo quando a mulher se torna objeto de desejo do homem. O problema está no processo de apaixonar-se pois a aceleração do gozo feminino facilita a possibilidade que o sujeito não mais detenha o controle. Assim, o gozo feminino passa do estado de êxtase para um estado de devastação. A mulher se entrega ao homem mesmo que isso lhe custe a desgraça de sua própria vida. O feminino exerce dependência ao desejo do outro.
Tendo em vista essa posição oriunda do feminino pode-se retirar uma hipótese do porquê em alguns casos extremos, as mulheres recorrem as delegacias de mulheres, denunciam seus pares, e acabam retornando para o marido agressor. Muitas vezes a mulher no feminino goza da posição do estado de devastação. Fazer a queixa e se colocar no lugar de vítima aumenta seu gozo, o masoquismo é estritamente pertencente ao feminino. Há casos em que essas mulheres “criam” um homem agressor e se caso ele não se transformar nesse homem, essa mulher pode abandoná-lo.
A discussão acerca das diferenças de gêneros, sempre despertou curiosidade e esteve presente durante toda a história da humanidade. Mais do que a diferença anatômica, se encontra a posição de ser feminino ou masculino, não importando qual de fato seja o sexo que se tenha. Este texto por exemplo se restringe a tratar exclusivamente da mulher no feminino. Embora a grande maioria das mulheres se encontre exercendo o papel feminino, hoje os estereótipos da feminilidade estão mudando, a mulher está cada dia mais dominadora e os homens por sua vez estão se feminizando.
A palavra mulher para a psicanálise não é um assunto que é esgotado. Freud denominou a feminilidade como “continente negro.” “De acordo com a sua natureza peculiar, a psicanálise não tenta descrever o que é a mulher – seria esta uma tarefa difícil de cumprir”, nos diz Freud em seu texto “Feminilidade”.  O que se pode afirmar é que amar é reconhecer sua “castração, ou seja, a própria falta e doá-la ao outro e isso é essencialmente feminino.

Um comentário:

  1. Os estudos de Freud são sempre muito interessantes. queria muito ler o que ele fala sobre os sonhos.
    Beijo

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